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1- Uma Jovem chamada Maria
1- Uma Jovem chamada Maria

Meu nome é Maria, sou filha de Ana e Joaquim. Somos naturais de Nazaré, um vilarejo pequeno e desconhecido, localizado na Galiléia, ao norte da Palestina. Meus conterrâneos eram muito pobres e quase sem cultura. Em nossa vila, havia somente algumas casas humildes e uma pequena sinagoga. Por isso, certos moradores das cidades vizinhas diziam: "De Nazaré, não sai nada de bom" (Jo 1,46).

 

Desde a infância, toda jovem era educada para se casar com um rapaz sério, trabalhador e honesto; comigo, não foi diferente. No meu caso, encontrei essas qualidades em José, um jovem descendente da família real de Davi. Embora tivesse ascendência real, ele trabalhava como marceneiro, de casa em casa, consertando portas e jane­las, mesas e cadeiras. No entanto, uma visita inesperada mudou completamente nossos planos.

 

Em uma bela tarde, senti uma estranha brisa; então, percebi algo diferente na atmosfera. Surpresa, vi um homem parado à porta de minha casa, o que me fez ficar amedrontada. Após olhar me nos olhos, o peregrino disse, com voz serena: 

 

-Alegre-se, Maria, o Senhor está com você!

 

Ao ouvir essa saudação, eu me assustei, pois não compreendi o conteúdo das palavras. Em seguida, perguntei:

 

- Quem é você? O que quer comigo? O que significam essas palavras?

 

- Sou Gabriel, o enviado de Deus. Fui encarregado de encon­trar uma mulher que seja digna de ser .a mãe do Filho de Deus. E a escolhida foi você.

 

Nesse momento, eu quase desmaiei. Nunca me passara pela cabeça tamanha pretensão, nem esperava que, algum dia, Deus fosse se lembrar de mim e viesse me visitar. Ao perceber meu es­panto, Gabriel acalmou-me, dizendo:

 

- Muitas mulheres se prontificaram, porém não entenderam o recado de Deus. Aí vim bater à sua porta. Quando a vi, tive certeza de que minha procura havia terminado. É aqui - tocando leve­mente em meu ventre - que ele precisa de você, minha querida! Por obra do Espírito Santo, você vai gerar e criar o Filho de Deus, que ficará sob seus cuidados, até que possa realizar sua missão na terra. Você aceita esta incumbência?

 

Senti novamente aquela brisa suave e um calor no peito. Após olhar profundamente nos olhos de Gabriel, percebi quanto era amada pelo Senhor. Não conseguia acreditar no que acabara de ouvir. Ser a mãe do Filho de Deus? Eu? Como era possível? Aquilo era inacreditável!

 

Então meus pensamentos voaram. Eu estava noiva de José, mas ainda não coabitava com ele. Como poderia explicar à minha família, às minhas amigas e ao próprio José que minha gravidez era obra do Espírito Santo? Essa proposta representava uma mudança em meus planos em relação ao casamento e aos filhos que pretendia ter com meu noivo.

 

Mas, desde criança, eu pressentia que minha vida pertencia a Deus e que, a qualquer momento, ele iria se utilizar dela. Porém, eu queria entender como se resolveria tudo aquilo. Afinal, de acordo com as leis de meu país, quando uma moça aparece grávida antes do casamento, dependendo do que o noivo disser, ela pode ser apedrejada. Finalmente interrompi o silêncio, declarando:

 

- Como vai ser possível, se ainda sou solteira e não moro com José?

 

Ao ver minha preocupação, Gabriel respondeu:

 

- Isso não é problema, pois Deus pensou em tudo. Não se preo­cupe, porque José, seu noivo, concordará. Ele será um pai muito zeloso e esforçado; afinal de contas, o Filho de Deus vai precisar de um pai adotivo, um lar, uma família, enfim, de muitos cuidados enquanto estiver hospedado aqui, na terra.

 

Essas palavras me transmitiram uma grande paz de espírito.Sabia que minha vida estava totalmente nas mãos de Deus. Em seguida, Gabriel me fez a seguinte revelação:

 

- Também Isabel, sua prima, concebeu um filho na velhice. Agora ela está no sexto mês de gravidez.

 

Nesse momento, percebi que a notícia da gravidez de Isabel estava intimamente ligada à proposta que eu acabara de receber. Além de ser estéril, minha prima era idosa; nessas condições, uma gravidez normal era praticamente impossível. Como se adivinhas­se minhas palavras, Gabriel concordou.

 

- Sim. Isabel, aquela que todos chamavam de estéril. Lembre-­se de que, para Deus, nada é impossível.

 

Fiquei em silêncio, pensando em tudo aquilo. Em meu cora­ção, entendi que era livre para tomar qualquer decisão; naquela proposta, visualizei o plano de Deus para mim. Sempre soube que estar de acordo com a vontade dele é a plena realização de cada pessoa da terra. Naquele momento, sabia perfeitamente que minha missão era ser a mãe de Jesus, com todas as conseqüências que poderia acarretar. Embora nem sequer imaginasse como seria o futuro, Deus havia me arrastado para aquele momento decisivo, e eu me deixei seduzir. Após entregar-me inteiramente ao amor daquele que era hóspede em meu coração, disse:

 

- Sim, aceito. Estou pronta a obedecer e a colaborar com Deus! Faça-se em mim segundo sua vontade, pois eu sou sua serva.Gabriel olhou para o céu e sorriu. Em seguida, envolveu-me carinhosamente em um longo abraço. Depois se dirigiu à porta, voltou-se para mim com um sorriso, inclinou-se e agradeceu.

 

Naquela noite, não consegui dormir direito. Pensava em tudo o que me ocorrera à tarde e também como seria a reação de José, meu noivo, diante da notícia de minha gravidez.