Translate this Page

Rating: 2.2/5 (241 votos)

ONLINE
1





Partilhe esta Página


10 - JOANA, A FILHA DE JAIRO
10 - JOANA, A FILHA DE JAIRO

"[Jesus] pegou a menina pela mão e disse-lhe: 'Talitá cum!' (que quer dizer: 'Menina, eu te digo, levanta-te" (Me 5,41).

Sou Joana, filha de Jairo, o chefe da sinagoga de Nazaré. Aos 12 anos, minha saúde era muito frágil; vivia pálida, fraca e sem apetite. Como sentia muitas cólicas intestinais e febre constante, eu passava a maior parte do tempo deitada.

Então pedi que meu pai me levasse até Jesus, pois tinha certeza de que ele me curaria. No início, foi muito difícil convencê-lo, pois, como representante da Lei de Moisés em Cafarnaum, tinha de zelar pelo cumprimento das regras. E, muitas vezes, Jesus desobedecia à lei, pois fazia curas aos sábados, tocava os leprosos, não fugia dos impuros, comia com os pecadores e conversava com as prostitutas. Se o procurasse, meu pai seria incoerente com tudo aquilo que sempre pregou e defendeu. Mas, quando verificou meu precário estado de saúde, não suportou mais. Naquele momento, concluiu que de nada valiam seu orgulho, sua posição, seu dinheiro e a sinagoga de Cafarnaum se ele viesse a me perder. Sobre isso, eu o ouvi dizer:

- Ainda que perca tudo, vou procurar Jesus.

Quando soube que ele estava em Genesaré, meu pai saiu em busca de Jesus. Ao chegar, viu uma grande multidão em torno do Mestre. Todos queriam tocá-lo. De repente, Jesus abriu caminho, como se quisesse se aproximar de alguém. Com grande dificuldade, meu pai conseguiu chegar perto dele, a quem implorou que fosse até nossa casa impor as mãos sobre mim, pois eu estava muito doente.

Ao presenciar a cena, muitos ficaram escandalizados e surpresos com a atitude de meu pai, mas Jesus compreendeu sua dor e teve misericórdia. Em seguida, segurou fortemente em sua mão, prometendo-lhe que o acompanharia até nossa casa.

No entanto, meu pai tinha pressa; por isso, pegou-o pelo braço e foi conduzindo-o entre a multidão. Nesse momento, Jesus parou e começou a olhar em volta, como se estivesse à procura de alguém. O povo abriu passagem, e ele parou diante de uma mulher agachada. Então ela se lançou a seus pés chorando e contou-lhe sua história.

Nesse instante, meu pai ficou muito impressionado. Era Séfora, a mesma mulher a quem, anos atrás, sentenciara ser impura e, por isso, indigna do marido. Embora tivesse agido de acordo com a lei, ele sabia quanto a havia magoado. Por isso, ao revê-Ia naquela hora, não quis estragar sua felicidade uma segunda vez. Diante de sua dor, não poderia ser mesquinho nem rígido.

Mesmo em uma situação tão difícil, ele conseguiu sorrir para Séfora. Com esse gesto, demonstrou-lhe que não estava zangado porque ela fora procurar Jesus. Essa atitude foi muito benéfica e gratificante para ambos.

Tal harmonia foi quebrada com a chegada de alguns criados, com a notícia de meu "falecimento" Foi tamanha a dor de meu pai, que se apoiou em Jesus, para não desmaiar. Após ampará-lo, Jesus olhou em seus olhos e disse:

- Não tema. Creia somente!

Essas palavras conseguiram apaziguar seu sofrimento. Em seguida, Jesus pegou suas mãos e as colocou sobre as de Séfora. Foi um momento de reconciliação para os dois, que, sem dúvida, preparou o coração de meu pai para o grande milagre que estava por vir. Embora essa atitude tenha causado escândalo entre o povo, Jesus ficou feliz. Então chamou três discípulos, e todos foram até minha casa.

Quando chegaram, souberam que eu tinha "falecido" havia pelo menos meia hora. Em minha casa, as pessoas choravam, gritavam e entoavam canções fúnebres. Quando viu o sofrimento geral, Jesus compadeceu-se e disse:

- Não chorem, porque a menina não está morta. Está apenas dormindo.

Ao ouvir aquelas palavras, todos passaram a zombar de Jesus, pois sabiam muito bem reconhecer uma pessoa morta. Ele, porém, permaneceu irredutível. Em seguida, chamou meus pais e os três discípulos e entraram em meu quarto. Sentou-se na cama e segurou minhas mãos. Após olhar-me com firmeza e muita ternura, exigindo de mim uma reação de confiança, ele me disse:

- Talitá cum! (que quer dizer: "Menina, eu te digo, Ievanta-te!")

Com isso, eu era convidada a ser protagonista de minha vida na família e na sociedade. Nesse momento, senti os pulmões se encherem de ar e a cor me retornar às faces. Então, abri os olhos, olhei para ele e sorri. Em seguida, sentei-me e abracei Jesus, dizendo:

- Jesus! Que bom que veio! Pedi tanto que meu pai o trouxesse aqui!

Naquele instante, meus pais abraçaram Jesus e choraram por longo tempo. Seus discípulos também choravam feito crianças. Depois saímos do quarto. Meu pai quis que eu fosse na frente, andando, para que todos os que estavam do lado de fora comprovassem a glória de Deus. Quando me viram, as pessoas gritavam e corriam apavoradas. Era uma atitude natural para quem acabava de testemunhar uma ressurreição.

Em seguida, minha mãe preparou uma refeição para nós. Como estava com muita fome, eu comi como uma leoazinha! Jesus e seus discípulos também se alimentaram, tomaram um bom vinho e conversaram muito.

Ele pediu que não divulgássemos o ocorrido, porque não queria que as pessoas o considerassem um mágico ou um curandeiro. Seu desejo era que o procurassem principalmente por sua Palavra e seus ensinamentos; para descobrir que Deus é Pai e Mãe e nos ama! Eu lhe disse que seria muito difícil guardar segredo sobre o acontecido, pois muitos haviam presenciado o milagre. De fato, a notícia se espalhou por toda a redondeza.