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16.3 3ª Aula: O anuncio do Evangelho de Deus...
16.3 3ª Aula: O anuncio do Evangelho de Deus...

Curso Bíblico Online

 3ª Aula: O anuncio do Evangelho de Deus com amor e ternura- 1Ts 2,1-12

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Ouçamos na voz do Cid Moreira a 1ª Carta aos Tessalonicenses.

Se você desejar pode acompanhar a narração  na sua bíblia.

 

 

A partir dessa aula iremos aplicar o método da Leitura Orante nos textos da Carta aos Tessalonicenses. Veja o vídeo para conhecer melhor esse método, depois, abra a sua bíblia e leia o texto que iremos estudar hoje 1Ts 2,1-12. 

  

 

1º Passo: A leitura vou fazer, vou rezar e refletir. Devo, então, me perguntar:  O que o texto diz em si? Ler, meditar, rezar, contemplar. Passos tão pequenos, fazem a vida transformar..

 

Situando o texto: Os ultrajes e os maus-tratos padecidos por Paulo e Silas em Filipos, longe de desanimá-los, os impulsionaram a anunciar o Evangelho com ousadia. Em Filipos, Paulo e Silas foram arrastados diante dos magistrados, acusados, tiveram suas vestes arrancadas, foram espancados com varas e depois colocados na prisão com os pés presos a um cepo (At 16,19-24). Nem por isso desanimaram ou reagiram com violência, ao contrário, na prisão eles estavam “orando e cantando hinos a Deus. Os outros prisioneiros os escutavam” (At 16,25). A prisão tornou-se uma oportunidade para anunciar o Evangelho, tanto que o carcereiro se converteu e os acolheu em sua casa onde foi batizado junto com todos da sua família e ainda lhes lavou as feridas (At 16,29-34).

 

Foi depois de Filipos, que os apóstolos chegaram em Tessalônica e aí anunciaram a Palavra de Deus também em meio a muitas lutas. A gratuidade e a sinceridade é que deram credibilidade ao anúncio. Ninguém arriscaria passar por estas tribulações, sem ganhar nada, se não fosse por firme convicção naquilo que ensina e vive. Não há erro nem segundas intenções por trás do anúncio, certamente eles queriam mostrar que as suas atitudes eram diferente de outros tantos mestres e taumaturgos itinerantes que se apresentavam nas cidades naquele tempo e que cobravam pelas suas pregações.

 

É bom lembrar que Tessalônica, sendo um importante centro comercial, político e cultural, e uma das mais prósperas cidades do império, era um palco de grande circulação de pessoas, mercadorias e culturas que se refletia na diversidade religiosa, onde se prestava culto para as divindades locais, e também ao imperador como Divino e Salvador, além das divindades gregas (Zeus, Apolo, Ares, Afrodite, Dionisio etc), romanas (Júpiter, Febo, Mrtes, Vênus etc), egípcias (Serápis, Osíris, Anúbis), asiáticas (Átis e Cibele) e  judaícas. Seus pregadores circulavam pelas ruas vendendo o “êxtase espiritual”. Tessalônica era um grande mercado religioso!

 

Os mestres e taumaturgos dessas religiões eram treinados para fazer belos discursos a serviço de quem lhes pagava. Mas não viviam o que pregavam. De modo diferente, os apóstolos se apresentaram de forma gratuita. Viviam no dia a dia aquilo que pregavam com suas palavras e não faziam da evangelização um meio para ganhar dinheiro, mas o único interesse era levar a boa notícia do Evangelho e a salvação aos tessalonicenses e que os irmãos perseverassem na fé que receberam.

 

É nesse ambiente de diversidade religiosa que Paulo pregou e expli­cou o Evangelho de Deus (1Ts 2, 2s), a realeza e a exaltação de Jesus Cristo ressuscitado. 

 

Nessa época, o termo evangelho que significa "boa nova, boa notícia”, era muito usado e somente na teologia do império romano. Há várias inscrições descobertas pela arqueologia que contêm o termo "evangelho", usado pelo imperador romano César Augusto (27 a.C.-14 d.C) em que ele, senhor do império e da terra, é proclamado como "filho divino" e salvador".  O mesmo aconteceu com outros imperadores e principalmente com  Domiciano no ano 90 d.C. Clique no link a seguir e Assista apenas os primeiros 4 minutos do filme Apocalipse e confira o que estou dizendo:  https://www.youtube.com/watch?v=8aUUyqm098k

 

Desse modo notícias de interesse do império e decretos do imperador eram apresentados como evangelho e era usado para anunciar o imperador como "filho divino e salvador" por ter estabelecido a paz sobre a terra. O imperador era também o chefe da religião nacional (sumo pontífice), responsável por conservar, zelar e nomear sacerdotes. Com esses evangelhos o imperador ditava e moldava o cotidiano do povo dominado para impor e legitimar o poder e a dominação como também para a cobrança sistemática de impostos, monopólio do comércio e implantação da religião e cultura.

 

Mas o evangelho de Deus anunciado por Paulo e seus companheiros, está na contramão e dos interesses do evangelho pregado pelo império, pois visava a dignidade das pessoas. Eles, os missionários, não fizeram uso de nenhum dos métodos habituais do evangelho pregado pelo império: sedução, fraude, bajulações e desejo de agradar; como escreveu o apóstolo aos coríntios: "... em Cristo é que falamos na presença de Deus, com sinceridade e da parte do próprio Deus" (2 Coríntios 2,17) e por isso, pouco a pouco foram ganhando adeptos no meio dos trabalhadores explorados, empobrecidos e humilhados. Nas comunidades cristãs, eles conseguem recuperar a dignidade e esperança dentro de uma sociedade basicamente escravagista e, ao mesmo tempo, sofrem a forte perseguição  dos defensores poderosos do evangelho anunciado pelo imperador: enfrentam "tantas tribulações" (1Ts1,6).

 

De maneira afetuosa, Paulo e seus colaboradores escrevem à comunidade de Tessalônica recordando-os que a pregação deles não vem de intenções enganosas, de segundas intenções ou trapaças (1Ts 2,3) e reforçam que eles  foram examinados e considerados dignos da parte de Deus para anunciar, e o próprio Deus é que continua a examinar seus corações e suas consciências. Portanto, é só a Deus que eles devem agradar e prestar contas. É a origem divina do Evangelho que permite excluir o erro, o engano, a adulação e os fins interesseiros. É possível  que eles tivessem ouvido alguma acusação, pois afirmam que "Deus é testemunha", ou seja, eles estão querendo que seus destinatários acreditem que eles agiram com reta intenção`: anunciar somente o evangelho de Jesus Cristo crucificado e ressuscitado.

 

Seguir  um Messias crucificado é escândalo. A sua mensagem é um convite a viver o projeto de justiça e do compromisso com as pessoas que estão à margem do sistema. Aquele que segue Jesus abandona outras práticas religiosas, afasta-se dos cultos do império e isso provoca separação dos parentes, vizinhos e também perseguição.

 

O evangelho de Jesus Cristo é contrário ao método do Império Romano, que usa de violência. Paulo e seus companheiros pregam o evangelho com carinho de mãe e de pai: mãe que lhes havia alimentado e cuidado com ternura (v.7);  pai que exorta, consola e ensina a andar (vv.11-12).  A imagem é bonita. É a mãe que acaricia e dá alento a seus filhinhos. Um dia estes irão se tornar adultos, não precisarão mais do leite materno, pois saberão encontrar o próprio alimento e também saberão andar por conta própria. Portanto, a relação que os apóstolos têm com a comunidade é uma relação das mais afetivas.

 

A comparação com a mãe que acaricia os filhinhos recorda a maneira como os apóstolos se relacionaram com a comunidade. A passagem evoca imagens divinas do Antigo Testamento (Dt 32,11; Jó 39,14; Is 49,15; 66,10-13; Ez 1,5-10; Os 11,3-4 etc.). Esta imagem será utilizada também em outras cartas (1Cor 3,2; G1 4,19; F1 1,8). Os apóstolos entendem que a comunidade nasceu a partir do seu trabalho de evangelização; seus membros são como seus filhos que eles geraram, daí também a ligação maternal que os une. Por isso, eles usam uma linguagem afetuosa, cheia de ternura e carinho para que agora eles também se amem com este mesmo amor com o qual foram tratados.

 

Os apóstolos recordam os trabalhos e fadigas a que foram submetidos tanto na vivência como no anúncio do Evangelho. Eles não querem tornar-se um peso para a comunidade, nem ficar dependentes dela. O apóstolo Paulo era um artesão, fabricante de tendas (At 18,3), trabalhava com as próprias mãos para não se tornar um peso às comunidades que evangelizava até para servir de exemplo aos demais (At 20,34; 2Ts 3,7-9) visto que no contexto grego-romano, o trabalho manual, em geral, era considerado como função de escravos. Os pregadores e missionários do evangelho de Jesus mergulharam no mundo dos trabalhadores pobres e escravos, a maioria da população.

 

Outro dado interessante é que eles sabem amar a comunidade inteira (todos) e não apenas alguns dos seus membros ou os mais importantes. Ao contrário, eles mencionam “a cada um”. É a comu­nidade que forma o todo, mas sem perder a sua individualidade; eles conhecem a realidade de cada membro, sua caminhada, seus valores e mesmo as suas dificuldades.

 

Em nossos dias, muitas vezes, constata-se a falta de afeto na Igreja, sobretudo quando a ação pastoral é exclusivamente de massa sem a preocupação com as situações concretas vividas pelas pessoas. É preciso fomentar a cultura do encontro, ir em busca das ovelhas afastadas, como o pastor que deixou as noventa e nove ovelhas para ir recuperar aquela que se havia perdido (Lc 15,4-7). E assim, o desafio nos é lançado: como missionários e missionárias, vivamos uma vida reta, assumindo com amor de pai e mãe as pessoas coma s quais trabalhamos. Amor gerador de outras vidas!

 

E fica um questionamento: O que significa pregar o evangelho? Qual a relação que Paulo e seus colaboradores estabelecem com a comunidade de Tessalônica? Qual a preocupação dos missionários em relação à comunidade?

 

 

 

2º Passo: Meditando passo a passo, vou assim, sem distrair, perguntando, perguntando:  O que o texto diz para mim?

 

A pregação do evangelho do Senhor quase sempre encontra resistência, pois homens preferem fazer o que lhes agrada do que mudar e fazer a vontade de Deus.  Com muita frequência, hoje em dia, o Evangelho é apresentado sob um aspecto atraente e sentimental ou como o complemento de uma obra social. Quantos preferem anunciar um “Evangelho” fácil, que não incomoda os que oprimem; ou um Evangelho a serviço da teologia da prosperidade? O ministério de Paulo tampouco foi inspirado por um dos três grandes motivos da atividade humana: busca de glória pessoal, satisfação da carne e aquisição material. Pelo contrário, os sofrimentos do apóstolo testificavam completo desinteresse pessoal (Atos 20,35).

 

Ao contrário, hoje, vemos tantos irmãos, missionários(as), agentes pastorais, catequistas e tantas pessoas que anunciam sem temor e com gratuidade. Partilham a sua capacidade, o seu tempo e também as suas economias pela difusão do Evangelho. Assim como Jesus se fez trabalhador, Paulo também trabalha e, hoje, a Igreja conta com esta leva de novos evangelizadores que se abrem ao Espírito Santo e dão a vida pelo Evangelho: “Jesus quer evangelizadores que enunciem a Boa-Nova, não só com palavras mas sobretudo com uma vida transfigurada pela presença de Deus; outros arriscam a própria vida, como os cristãos das Igrejas da Síria e outras regiões, vítimas da guerra e da perseguição, muitos são forçados a migrar deixando tudo para trás. Mesmo assim mantém a perseverança e testemunham o Evangelho através da reação não violenta.

 

Quando Paulo e Silas chegaram a Tessalônica, eles carregavam marcas desta resistência em seus próprios corpos, pois ainda estavam se recuperando dos açoites que receberam em Filipos por pregar o evangelho (2,1-2; Atos 16,19-23). Mesmo assim, eles e seus companheiros se empenhavam em pregar sem medo toda a verdade de Deus aos tessalonicenses. Ser missionário/a de Deus exige coerência. É fácil imaginar que Paulo mudaria sua pregação para não sofrer mais. Porém, confiando no Senhor, Paulo e os outros pregaram firmemente o evangelho na sua integridade, a fim de produzirem fruto para Deus (2,1-2). Eles não estavam preocupados em fazer amigos, ganhar dinheiro, ou ter reconhecimento dos homens. Deus havia confiado a eles a palavra da salvação, e por isso podiam pregar somente aquilo que o agradasse e o glorificasse (2,3-6).

 

O que esse texto tem a ver com a sua vida? A Missão do cristão é transformar a sociedade à luz do Evangelho, tendo a ciência como instrumento e meio, para evangelizar o ser humano em sua totalidade, acompanhando os sinais dos tempos. Em que o nosso evangelho se diferencia das boas notícias apresentadas pelos poderosos de hoje? Como vivenciamos o evangelho e a pratica do amor em nossas comunidades? Você também já foi vítima de perseguição por causa do Evangelho? Já desanimou da caminhada?

 

3º Passo: E agora vou rezar, por aqueles que são teus, abrirei meu coração: O que vou dizer a Deus?

 

Vendo que Paulo e os outros não mudaram a pregação para ela ser "conveniente", mesmo quando isto trouxe perseguição, os tessalonicenses entenderam que ela era verdadeiramente a palavra de Deus (2,13). Com a convicção de que estavam servindo a Deus de acordo com a verdade, os tessalonicenses ficaram firmes em tribulação, assim como fizeram as outras igrejas, os apóstolos, e o próprio Senhor Jesus (2,14-16). Diante disso, o que dizer a Deus em oração?

 

4ª Passo: Contemplar enfim, eu vou, sem ter pressa e sem demora, meu Senhor já me enviou: O que vou fazer agora? O que este texto me faz fazer de concreto?  

 

A Palavra de Deus age e produz efeito, porque “é viva, eficaz” (Hb 4,12). Esta ação pode ser vista na transformação que ela produziu na vida dos tessalonicenses que tiveram sua vida transformada igual à dos apóstolos e dos demais fiéis.

 

Nós somos a palavra que ouvimos. A terceira urgência da ação evangelizadora da Igreja do Brasil nos remete justamente à vivência da Palavra. “O discípulo missionário é convidado a redescobrir o contato pessoal e comunitário com a Palavra de Deus como lugar privilegiado de encontro com Jesus Cristo”.12 A Conferência de Aparecida decidiu pela animação bíblica de toda pastoral. A Palavra é como seiva que faz a planta produzir frutos. A animação bíblica de toda a pastoral é fundamental para as comunidades cristãs, não devendo ser só intelectual e instrumental, mas com o coração com “fome (...) de ouvir a Palavra do Senhor” (Am 8,11). Isso fará com que a Bíblia possa animar cada ação da Igreja, como a seiva que nutre toda a planta, sendo a força que alimenta toda a comunidade.

 

Ser missionária/o de Deus exige coerência e Paulo destaca alguns critérios para anunciar o Evangelho de Jesus Cristo: não usar de bajulações, não ser autoritário e não buscar seus próprios interesses, mas ser como mãe que acaricia e pai que encoraja. Em nossas comunidades, precisamos acolher, cuidar e desenvolver relações mais humanizantes, valorizando e enfatizando a importância de cada membro. Que cada pessoa busque em Deus a força para continuar a missão, mesmo em meio às dificuldades, ter esperança no plano de Deus.

 

Benção final.

 

Usando as mesmas palavras de Paulo pedimos que “o mesmo Deus da Paz santifique vocês completamente. Quem chama vocês é fiel e é ele quem agirá (1Ts 5,23ª.24). Que a benção de Deus desça sobre você. E que a palavra de Deus abrace e aqueça você a cada dia...

 

Até a nossa próxima aula dia 27 de Setembro, mas não saia ainda sem deixar o seu parecer na caixa de comentário, logo abaixo. Participe, deixe a sua opinião sobre esta aula.

 

Se você se interessou por esse curso, acesse o link para conhecer o plano de estudo http://www.leituraorante.com.br/16-curso-biblico-1-carta-aos-tessalonicenses2

 

Para ir para a 4ª Aula: http://www.leituraorante.com.br/164-4-aula-o-amor-gera-comunhao-1ts-217-313