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2ª Aula: INJUSTIÇA E CORRUPÇÃO SOCIAL....
2ª Aula: INJUSTIÇA E CORRUPÇÃO SOCIAL....

2ª Aula

Tema: Injustiça e corrupção social atingem a vida do povo (Mq 3,9-12)

 

1.Motivando a aula de hoje

Na primeira aula, pisamos no chão de Miqueias e deparamo-nos com fortes denúncias e julgamentos severos contra as autoridades do seu tempo. Na aula de hoje (09/08/2016), dia histórico para nós brasileiros e brasileiras, em que começa a sessão no Senado que vai definir se a Presidente Dilma Rousseff vai a julgamento final no processo de impeachment, vamos nos sentar ao lado das pessoas da comunidade camponesa de Miqueias, e conhecer seus sofrimentos e suas lutas pela sobrevivência.

 

Por acreditar no Deus da vida e da justiça, o profeta Miqueias não teve medo de denunciar a realidade de injustiça vivenciada por seu povo. A realidade atual não é diferente; há muitas situações de abuso de autoridade, exploração e sofrimento que nos esmagam e, por vezes, nos fazem perder a esperança. Neste dia histórico, iluminados pelas palavras de Miqueias: "Os chefes de vocês proferem sentenças a troco de suborno. Seus sacerdotes ensinam a troco de lucro, e seus profetas dão oráculos por dinheiro" (Mq 3,11a), queremos compreender que a função da autoridade é servir o povo, e não buscar seus próprios interesses. 

 

Antes de dar continuidade no nosso estudo, cantemos juntos com os jovens da PJ (Pastoral da Juventude), pedindo ao Espírito de Deus que nos fortaleça e nos encha de coragem para gritar contra as realidades de injustiça.

 

Iniciemos nossa caminhada com a certeza de que Deus está conosco e nos fortalece em nosso compromisso na construção do seu Reino entre nós!

 

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

 

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Abuso de poder parece ser uma constante em todas as épocas. No Primeiro livro de Samuel lemos: “Este é o direito do rei que vai reinar sobre vocês: tomará os filhos de vocês para cuidar dos carros de guerra e dos cavalos dele e marchar à frente do seu próprio carro de guerra. Ele os nomeará comandantes de mil e comandantes de cinquenta. Ele os obrigará a arar a terra dele e a fazer a colheita para ele, a fabricar para ele as armas de guerra e as peças dos seus carros de guerra. Tomará as filhas de vocês para trabalhar como perfumistas, cozinheiras e padeiras. Tomará os campos, as vinhas e os melhores olivais de vocês, para dá-los a seus próprios servos. Vai exigir a décima parte das plantações e vinhas de vocês para dá-la a seus oficiais e servos. Tomará os servos e servas de vocês, os melhores jovens e os jumentos de vocês, para que fiquem a serviço dele. E vai exigir a décima parte dos rebanhos de vocês, de modo que vocês mesmos serão transformados em servos dele” (8,11-17). Ao alertar sobre os direitos do rei, o verbo predominante é tomar, apoderar-se do que pertence ao outro, inclusive da própria vida.

 

  1. Leitura do texto

Em meio à realidade de sofrimento e exploração, especialmente da população camponesa, surgiram várias denúncias contra a monarquia e seus mecanismos de opressão. O profeta Miqueias denuncia os abusos das autoridades civis e religiosas, que se aproveitam da situação para roubar o povo, já empobrecido pelos tributos do Estado judeu e do Império Assírio. Foram tempos penosos: em 722 a.C., aconteceu a queda da Samaria e a migração em massa para Judá o rei empreendeu uma política de centralização e fortalecimento de Jerusalém em favor dos interesses dos ricos e poderosos da capital, além das construções e militarização da cidade, e entrou em guerra contra os filisteus e contra a Assíria. Mais tributos, trabalho forçado, recrutamento militar, corrupção, violência contra o povo! Judá foi invadida pelos assírios em 701 a.C., as principais cidades foram tomadas e o povo foi submetido a pesados tributos. Antes de continuar o estudo, leia atentamente o texto de Miqueias 3,9-12 e procure responder as seguintes perguntas:

 

  1. a) Quais grupos são denunciados pelo profeta e por quê?
  2. b) Qual realidade transparece no texto?
  3. c) O que significa afirmar que Jerusalém e o Templo serão castigados?

 

Nos diversos momentos da história do povo de Israel, o Espírito de Deus animou pessoas grupos para defender a vida ameaçada. Olhando ao nosso redor, vemos muita realidade de sofrimento e injustiça e Deus continua animando mulheres e homens na construção de um reino de justiça, igualdade e vida plena.

 

  1. a) Como vivemos nossa vocação cristã na Igreja no mundo?
  2. b) Como nós e nossas comunidades continuam a missão de Jesus na implantação do reino de Deus?
  3. c) Quais são os interesses que impulsionam nosso serviço profético?

 

2.1 - Situando o texto: A monarquia e a exploração do povo.

Após a saída do Egito o povo viveu nas montanhas de Canãa por cerca de 200 anos, vivenciando uma vida autônoma, baseada na solidariedade e em uma sociedade igualitária, diferente da sociedade imposta pelo sistema dos reis da cidade-estado e dos faraós do Egito. Mas por volta dos anos 1040 a 931 a.C., o projeto, entra em crise. A rica experiência do poder participativo foi substituída por um poder centralizado, nas mãos de um monarca.

 

Há, entretanto, na Bíblia, dois textos que mostram que a monarquia não era um desejo de todo o povo, mas de parte dele. Quem queria um rei não eram os camponeses pobres, mas os ricos residentes nas cidades (1Sm 11,5-11), proprietários de bois, que eram motivados não pela libertação dos seus irmãos ou pela solidariedade com o povo todo, mas por seus interesses particulares, suas propriedades e as rotas comerciais, que queriam defender.

 

O primeiro texto Jz 9,8-15 é o célebre apólogo de Joatão, o filho mais novo de Sansão que escapou à matança de seus irmãos porque se escondeu. O texto é uma fábula dirigida "aos homens notáveis" de Siquém. A rejeição à realeza por parte da oliveira, da figueira e da videira, que prestam preciosos serviços aos homens e aos deuses, mostra com fina ironia que quem vai assumir o papel de rei não será nenhum dos melhores, mas quem só quer "balançar por sobre as árvores", exigindo e cobrando honras, privilégios e serviços. A aceitação por parte do espinheiro, com a ameaça de soltar fogo e devorar os cedros do Líbano, diz bem o que os camponeses pensavam sobre a realeza.

 

O segundo texto é 1Sm 8,11-17, no qual Samuel põe na boca de Javé o que ele pensa sobre a realeza, sob a forma dos direitos do rei. O texto é uma denúncia contra o projeto tributário do reino — o Estado monárquico. A raiz de todos os males é a injustiça, produzida pelos reinos e governantes, registrada em diversas passagens da Bíblia. Os profetas do Norte, por exemplo, denunciam os males provocados por seus governantes: “Eles odeiam aqueles que se defendem na porta e têm horror de quem fala a verdade. Porque esmagam o fraco, cobrando dele o imposto do trigo. Pois eu sei como são numerosos seus crimes, e graves seus pecados: exploram o justo, aceitam subornos e enganam os necessitados junto à porta” (Am 5,10.12).  

 

Como o povo do Norte, o povo do Sul sofre os males do seu reino. As críticas dos profetas contra o reino se concentram no período do final do século VIII até a queda de Jerusalém (587 a.C.). Por que nesse período? O estudo arqueológico atesta que somente após a queda da capital Samaria, do reino do Norte (722 a.C.), o reino de Judá se transforma num “estado completamente desenvolvido”, com o aumento da população, da produção, do comércio e da arrecadação. Eis aqui alguns fatores para esse desenvolvimento:

 

1) A queda da Samaria empurra uma massa de refugiados para o Estado de Judá. Entre eles, há pessoas com recursos e preparo administrativo e intelectual. Surgimento de novos assentamentos no interior e aumento populacional nas cidades. Por volta de 720 a.C., a população de Jerusalém aumenta de forma exagerada: de mil para quinze mil habitantes. Mais riqueza, consumo e comércio.

 

2) Com o desaparecimento do Norte, reino vizinho poderoso, que, por exemplo, controlava a rota comercial com a Arábia, o reino de Judá expandiu-se e intensificou seu comércio com a Arábia. Nesse período, o estudo arqueológico comprova, no reino do Sul, a intensificação da produção de azeite e vinho para o mercado internacional; o florescimento da indústria de cerâmica etc.

 

3) Apesar de ser Estado vassalo do Império Assírio, Judá se torna uma nação importante para o império: é uma das “fortalezas” para controlar o império egípcio, o inimigo poderoso da Assíria. O reino do Sul, assim, é integrado na política e na economia internacional do Império Assírio.

 

4) Com a política de expansão, o rei Ezequias de Judá inicia o movimento de fortalecer e centralizar o poder no Estado monárquico com a capital Jerusalém. Tenta oprimir e enfraquecer a autonomia das aldeias, por exemplo, declarando o culto exclusivo a Javé oficial e centralizando a atividade religiosa - oferendas, culto, festa — no templo de Jerusalém, em detrimento dos santuários do interior.

 

Para justificar e fortalecer esse movimento de centralização, Ezequias organiza a primeira redação do livro do Deuteronômio (Dt 12-26). Nele, Javé é exaltado como Deus oficial: “Se seu irmão, filho de seu pai ou sua mãe, ou seu filho ou filha, ou a mulher que repousa em seu peito, ou ao amigo que você quer como a si mesmo, tentarem seduzir você secretamente, convidando: “Vamos servir a outros deuses”, não concorde, nem o escute. Que seu olho não tenha piedade dele, não use de compaixão, nem acoberte o erro dele. Pelo contrário, você deverá matá-lo. E para matá-lo, sua mão será primeira. Em seguida, a mão de todo o povo. Apedreje-o até que morra, pois tentou afastar você de Javé, o seu Deus, que o tirou do Egito, da casa da escravidão”. (Dt 13,7.9-11).

 

Na fé do povo, Javé é Deus libertador que escuta e vê a aflição do povo oprimido e se levanta para libertá-lo (Ex 3,7-8a). Agora, porém, esse Javé oficial pratica violência e matança em nome da centralização de rituais e festas em Jerusalém. Aumento do movimento para a capital e a corte: produtos, pessoas, comércio, tributo, corrupção, violência etc. Tudo isso oprime e explora os camponeses. O movimento de centralização deve ser doloroso e sofrido para os camponeses habituados a seus cultos de fertilidade, nos santuários de suas aldeias.

 

E mais ainda, o fortalecimento do Estado e seu movimento de centralização em Jerusalém, centro do poder de Judá, exigem tanto a ampliação da infraestrutura como também o estabelecimento do forte aparato administrativo com a presença dos “burocratas” — escribas, sacerdotes, profetas, juízes etc. O aumento significativo dos burocratas é atestado pela pesquisa arqueológica do final do século VIII a.C.

 

Em princípio, o governo deve servir ao bem do povo. Porém, a história de Israel testemunha o contrário: os ricos e poderosos de Jerusalém se lançam na busca desenfreada de bens, poder e prazer: mais tributo, espoliação de produtos e terras dos camponeses. A ambição dos governantes leva Judá até a entrar em guerras contra as cidades dos filisteus e a Assíria. Mais tributos, trabalho forçado (corveia), recrutamento militar, devastação, violência contra os camponeses. Um dos profetas do povo que denuncia os males praticados pelos governantes, sobretudo do tempo do reinado de Ezequias, é o profeta Miqueias. Vamos escutar a voz deste profeta:

 

2.2 - Comentando o texto: Mq 3,9-12 — Jerusalém se tornará um montão de ruínas.

Cansado de ser espoliado e de ver seu povo sendo constantemente saqueado, Miqueias ergue seu grito contra as elites de Jerusalém: “chefes da casa de Jacó” e “governantes de Israel”. Ele condena a ação dos grupos ligados ao poder, afirmando: “vocês têm horror ao direito e entortam tudo o que é reto” (3,9). Em vez de defender o direito dos camponeses: família, casa e terra, os chefes defendem os interesses injustos dos ricos e poderosos de Jerusalém. Impõem pesados tributos e praticam espoliação e violência contra o povo (cf. 3,1-4; Am 5,10-13). Só haverá direito ou justiça, mishpat em hebraico, quando o povo tiver condições de sobreviver com dignidade. A mensagem serve para os nossos dias também!

 

O profeta é corajoso e afirma, com audácia, que esses grupos estão construindo Sião com sangue e Jerusalém com perversidade (3,10). As palavras sangue e perversidade são referências concretas à situação de violência e morte a que muitas pessoas são expostas. “Há juramento falso e mentira, assassínio e roubo, adultério e violência e sangue derramado se ajunta a sangue derramado” (Os 4,2), diz o profeta Oseias contra os governantes do Norte, um pouco antes de Miqueias.

 

A expressão "construindo Sião” pode ser menção às construções de Ezequias: ele reforçou as defesas da cidade de Jerusalém, ampliou a muralha da cidade, construiu um reservatório e aqueduto para levar água a Jerusalém e construiu várias fortalezas militares (2Rs 20,20). A ambição pelos bens e pelo poder levou Ezequias a preparar guerra contra a Assíria. Como sempre, os gastos com grandes obras e o trabalho forçado recaem sobre os camponeses. Por volta do ano 701 a.C., Senaquerib, imperador da Assíria, rechaça a rebelião e devasta o interior do reino de Judá, derramando mais “sangue” na vida do povo (1,8-16). O povo sofre por causa da ambição de seus próprios governantes opressores. O Estado de Judá foi edificado à custa do sofrimento e da morte dos camponeses!

 

E o profeta, sem medo, nomeia os opressores: "os chefes de vocês proferem sentenças em troco de suborno” (3,11ª). A questão do suborno é um tema frequente na Lei de Israel: “Não aceite propina, porque a propina cega quem tem os olhos abertos e torce até as palavras dos justos” (Ex 23,8; Dt 16,19). Em outra passagem, lemos: “Maldito seja quem recebe algum presente para ferir uma pessoa inocente” (Dt 27,25).

 

Isaías, profeta contemporâneo de Miqueias, também faz a mesma denúncia: “Seus chefes são bandidos, cúmplices de ladrões: todos eles gostam de suborno, correm atrás de presentes. Não fazem justiça ao órfão, e a causa da viúva nem chega até eles” (Is 1,23). Subornar alguém é comprá-lo com dinheiro, ou outros bens, com o objetivo de conseguir uma coisa ilegal. É corrupção. E Deus é contra a corrupção: “Javé não aceita subornos” (Dt 10,17). E nós, aceitamos alguma forma de suborno?

 

Além dos chefes políticos, as lideranças religiosas também estão corrompidas: "Seus sacerdotes ensinam a troco de lucro e seus profetas dão oráculos por dinheiro” (3,11b). Sacerdotes e profetas se tornaram funcionários do Templo, usam da religião para alienar o povo e defender os interesses dos grupos enriquecidos. Eles se distanciaram da Lei do Deus da Vida.

 

As lideranças políticas e religiosas acreditam que o Deus de Israel, Javé, é a sua proteção: “Por acaso, Javé não está no meio de nós? Nada de mau nos poderá acontecer!” (3,11 d). As lideranças acreditavam que Jerusalém seria invencível, porque Javé a escolheu para a sua morada, tema que podemos ver em vários salmos, como, por exemplo, 4; 48; 76. Essa teologia se apropriou do nome de Javé e fez dele o defensor do Estado monárquico. Mas a voz de Miqueias segue direção contrária; ele, entre outros, grita a plenos pulmões que Deus não compactua com a realidade de injustiça. Ele é o mesmo Deus de sempre e está junto aos oprimidos. E o Deus que caminha com o seu povo.

 

Na boca de Miqueias, a sentença de Javé é clara: “por culpa de vocês” — chefes, governantes, sacerdotes e profetas —, que foram infiéis ao projeto de Javé, a cidade será destruída. E a realidade de injustiça do rei e de seus aliados que arrasa Jerusalém: “Sião será arada como um campo. Jerusalém se tornará um montão de ruínas, e o monte do Templo será um lugar alto coberto de mato!” (3,12). Deus não está preso no Templo, nem se deixa prender pelo ritualismo, mas a sua morada é nas pessoas que vivem e praticam a justiça. O crescimento e a expansão do país não podem ser à custa da exploração, corrupção, sofrimento e morte das pessoas. O projeto de Deus é vida em abundância para todas as pessoas!

 

3 - Aprofundando: A sociedade tribal em Israel

“Construirão casas e nelas habitarão, plantarão vinhas e comerão seus frutos. Não construirão para outro habitar, não plantarão para outro comer, porque a vida do meu povo será longa como a das árvores, meus escolhidos consumirão, eles mesmos, o fruto do trabalho das suas mãos” (Is 65,21-22; cf. Ecl 5,17-19).

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A Bíblia, do início ao fim, testemunha, em muitas passagens, a busca da justiça, da liberdade, da fraternidade, da felicidade e, acima de tudo, da promoção da vida. Em outras palavras, muitos escritos que estão na Bíblia descrevem a busca da realização do projeto igualitário do Deus da Vida contra o projeto dos homens, estados e impérios que produzem injustiça, opressão, perseguição, violência e morte: "Felizes vocês, os pobres, porque de vocês é o Reino de Deus. Felizes vocês, que agora têm fome, porque serão saciados. Felizes vocês, que agora choram, porque hão de sorrir. Felizes são vocês, quando as pessoas os odeiam, os rejeitam, os insultam e amaldiçoam o nome de vocês por causa do Filho do Homem” (Lc 6,20-22).

 

Aqui se abre uma pergunta: onde está a raiz, ou seja, o protótipo do projeto igualitário do povo de Israel proposto por Jesus de Nazaré? Qual é a experiência do povo que produziu a esperança e a fé no Deus da Vida? A Bíblia testemunha: "Ouvi seu clamor diante de seus opressores, pois tomei conhecimento de seus sofrimentos. ‘Desci para libertá-lo do poder dos egípcios e fazê-lo subir dessa terra para uma terra fértil e espaçosa, terra onde correm leite e mel...”’ (Ex 3,7-8).

 

O texto é uma releitura teológica posterior que incorporou os êxodos de vários grupos, ao longo dos anos. A partir de 1200 a.C., os grupos de camponeses, pastores, operários e marginalizados (hapirus) que viviam nas planícies e eram explorados e submetidos ao domínio dos reis cananeus das cidades-Estado e do faraó do Egito lutaram pela vida e saíram das planícies para a região montanhosa no centro de Canaã, fora do controle das cidades-Estados e do império. Esses grupos ingressaram e ampliaram as pequenas aldeias já existentes nas montanhas. Ou formaram novos assentamentos para experimentar a vida livre e comunitária do modo de vida tribal.

 

Dentro desse quadro, nasceu o núcleo inicial de Israel com o projeto igualitário. As tribos de Israel, nas montanhas de Canaã, propuseram, tentaram e fermentaram o ideal do projeto de uma sociedade de partilha e de solidariedade diante da dominação e exploração dos reis cananeus e do faraó do Egito. Eis aqui alguns ideais tribais:

 

1) A igualdade na partilha da terra (e o uso compartilhado da terra): “A terra (herança) será recebida de acordo com o número dos nomes das tribos de seus pais, e a herança de cada tribo será repartida por sorteio, levando em conta o maior e o menor número” (Nm 26,55-56). A terra deve ser usada em favor da vida de todos. Não ao acúmulo da terra!

 

2)  A partilha dos bens: “Quando você entrar no pomar do seu próximo, pode comer à vontade, até ficar https://img.comunidades.net/lei/leituraorante/LENOVO_PC_ndice.jpgsatisfeito, mas não pode carregar nada no cesto. E quando entrar na plantação do seu próximo, pode apanhar espigas com a mão, mas não passar a foice na plantação do seu próximo” (Dt 23,25-26). O uso dos bens em favor da vida diante da carestia, da fome e da necessidade. Não à concentração dos bens.

 

3) A lei de solidariedade: "Quando você estiver fazendo a colheita em sua plantação e deixar para trás um feixe, não volte para pegá-lo: fica para o migrante, o órfão e a viúva” (1)1 24,19). A prática da solidariedade nas aldeias, para atender ao grupo sem-terra, vítima de alguns males como a guerra.

 

4) A assembleia: Js 24 é um acréscimo posterior depois do Exílio, mas carrega a tradição antiga do tempo tribal no qual os anciãos das tribos representavam o povo na atividade política e religiosa.

 

5) A confederação de tribos na autodefesa dos diversos grupos: “Neste dia, Débora e Barac, filho de Abinoem, cantaram nestes termos: ‘Já que, em Israel, os guerreiros soltaram a cabeleira e o povo espontaneamente se apresentou...’” (Jz 5,1). O cântico de Débora é um canto de vitória contra o exército da cidade-Estado Hasor, comandada por Sísara. As tribos responderam ao apelo de Débora e compareceram ao combate.

 

6) O culto sem o templo, o sacerdócio e o luxo: “Não façam junto de mim deuses de prata, nem façam para vocês deuses de ouro. Construam para mim um altar de terra, a fim de oferecerem sobre ele seus holocaustos ou sacrifícios de comunhão, suas ovelhas e seus bois. Se você construir um altar de pedra para mim, não o faça com pedras lavradas” (Ex 20,23-25). O culto é exercido em âmbito familiar e em qualquer lugar, com a proibição de imagens de metais preciosos. E uma crítica contra a religião das cidades-Estado como o meio de exploração e controle sobre o povo.

 

Ao longo da história de Israel, o projeto igualitário é vivido e transmitido nas aldeias. Torna-se o fundamento de críticas, como no caso de vários profetas populares, contra o projeto dos homens, estados e impérios que produzem injustiça, opressão, perseguição, violência e morte. O mesmo acontece na vida de Jesus de Nazaré, homem criado na aldeia da Galileia. Ele vive e prega o projeto de partilha, solidariedade e justiça no mundo mantido pelo Império Romano, pelos herodianos e pelo sinédrio, o qual causa o empobrecimento e a escravização de grande parte da população camponesa.

 

E o projeto igualitário chega aos nossos dias: vários movimentos populares, comunidades, associações, ONGs, pessoas anônimas, lutando contra a injustiça e a opressão. Há vários sinais da nova sociedade acontecendo em nosso meio como o III Isaías sonhava: “Vejam! Eu vou criar céus novos e terra nova [...] Não se fatigarão inutilmente, não gerarão filhos para a desgraça, porque todos serão a descendência dos abençoados de Javé, juntamente com seus filhos” (Is 65,17.23).

 

  • Quais são os abusos de autoridade que vemos em nossa realidade?
  • O que nos ensina a fabula do espinheiro (Jz 9, 7-15)?
  • Quem pede um rei? Quais as motivações desse pedido?
  • Qual é o direito do rei? O povo vai se beneficiar com o rei?

 

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