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4- O Velho Simeão
4- O Velho Simeão

"Agora, Senhor, segundo a tua promessa, deixas teu servo ir em paz, porque meus olhos viram a tua salvação, que preparaste diante de todos os povos: luz para iluminar as nações e glória de Israel, teu povo" (Lc 2,29-32).

Eu me chamo Simeão. Certo dia, enquanto cuidava de minhas romãzeiras, senti no coração o recado de que deveria ir ao templo na manhã seguinte.

No local sagrado, as cerimônias religiosas começavam bem cedo, com a bênção dos sacerdotes ao povo. Naquela ocasião, eu estava ao pé da escada que ficava bem em frente à porta do re­cinto chamado santo, pela qual sairia o sacerdote para abençoar os fiéis (cf. Nm 6,24-26). Em seguida, teria início a rotina diária do templo, com os sacrifícios de animais e as outras tarefas.

Fiquei à espera da revelação do próximo passo a ser dado. Então, senti que deveria aproximar-me do altar das oferendas. Obedeci a esse impulso sem questionar, pois conhecia muito bem as moções do Espírito de Deus em minha vida.

Diante do altar, encontrei um jovem casal com um recém-nascido nos braços. Sem dúvida, eram os pais do Messias. Naquele momento, meu coração quase "saltou pela boca" de tanta alegria e emoção. Fiquei de longe, observando-os.

De acordo com a lei e os costumes da época, várias cerimônias eram realizadas no templo quarenta dias após o nascimento de uma criança, entre as quais estavam circuncisão, purificação da mãe, consagração e resgate do primogênito (cf. Ex 13,2.12 e Nm 18,15).

Na circuncisão, era dado o nome da criança, tarefa que cabia ao pai. Por ocasião de sua purificação, a mãe deveria apresentar a Deus um sacrifício (cf. Lv 12,1-8). As mais ricas ofereciam um cordeiro ou bois, enquanto as mais carentes ofertavam um casal de rolinhas ou dois pombinhos. Este foi o oferecimento de Maria e José (cf. Lc 2,24).

Havia outra lei que permitia o resgate do primogênito, que era feito mediante a oferta de um animal. No entanto, não percebi se os pais da criança cumpriram essa parte do ritual.

Quando terminaram os ritos, aproximei-me deles, sentindo a presença de Deus como jamais havia experimentado, e perguntei:

-Qual o nome do menino?

- Jesus - respondeu José.

Fiquei emocionado e comecei a chorar de alegria, pois o nome Jesus quer dizer "Deus salva". Maria, também com os olhos marejados de lágrimas, entregou-­me a criança, que segurei em minhas mãos calejadas e enruga das pela idade. Nesse momento, senti que carregava o próprio Deus. Então, levantei-o e louvei ao Senhor, dizendo:

 - Agora, Senhor, pode deixar este servo morrer em paz, segundo a sua Palavra! Porque meus olhos viram sua salvação, preparada perante a face de todos os povos, como luz para iluminar as nações e glória de Israel, seu povo! (cf. Lc 2,29-32).

Sem dúvida, aquela foi a bênção mais importante que dei na vida. Mas, naquele momento, Deus me fez outras revelações, que jamais haviam passado pela minha cabeça. Entre elas, estava o fato de que o Messias esperado, o Salvador, não seria um ge­neral guerreiro, como eu e meu povo esperávamos. Ele não nos salvaria do domínio dos romanos nem de qualquer dominação estrangeira, mas nos libertaria do pecado, da morte e de uma vida sem sentido!

Além disso, Deus me fez transmitir a Maria algumas palavras duras sobre seu filho. Em primeiro lugar, Jesus seria a razão de queda e de soerguimento de muitos em Israel; ou seja, enquanto os orgulhosos e poderosos cairiam por terra diante dele, os humildes seriam exaltados! Em seguida, disse-lhe que o menino seria um sinal de contradição entre a humanidade. Além de divulgar as incoerências humanas, ele revelaria também as contradições dos poderosos, daqueles que tinham o domínio da religião e do povo. Por causa disso, tanto José quanto Maria sofreriam muito; especialmente ela, pois uma espada de dor iria traspassar-lhe a alma; no entanto, seu sofrimento ajudaria muito na missão do Filho.

Também  me foi revelado que José partiria para Deus antes de que tudo acontecesse. Mas ele teria um papel fundamental, importantíssimo na formação de Jesus, por isso sua escolha não fora por acaso. Ele era um homem justo, santo, que daria ao menino todo carinho e atenção que um filho precisa receber do pai para se tornar um adulto feliz! Essa seria sua missão, a mais gloriosa que um homem poderia receber de Deus!

Por ser um sinal de contradição, Jesus seria perseguido pelos detentores do poder e sofreria como o Servo de Javé, profetizado por Isaías. E Maria sentiria o peso dessa grande dor. No entanto, depois disso, nunca mais a humanidade seria a mesma.

Ao ouvir essas palavras, Maria e José permaneceram serenos e silenciosos. Não fizeram uma pergunta sequer. Com toda certeza, eles tiveram outras revelações da parte de Deus, e minhas palavras somente confirmaram tudo o que já sabiam.

Após cumprirem os rituais, voltaram para Nazaré, onde moravam. Nessa cidade, José trabalhava como carpinteiro, e Maria cuidava da casa. Com o passar do tempo, Jesus crescia em tamanho e sabedoria, e ajudava o pai no trabalho. Com a morte de José, assumiu o lugar de chefe da família.

Até os 30 anos, Jesus trabalhou como carpinteiro. Era um jovem sério, honesto e consciencioso. Pela qualidade de seus trabalhos, poderia tornar-se o melhor profissional da cidade. Um dia, porém, após ser batizado por João Batista, partiu e nunca mais voltou. Posteriormente, foram narrados fatos miraculosos e extraordiná­rios a seu respeito. O filho de Maria e do carpinteiro José havia se revelado o Filho de Deus.