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Visão geral do Antigo Testamento
Visão geral do Antigo Testamento

1 - Introdução a leitura da Bíblia: Formação do Antigo Testamento. A Bíblia é um livro diferente de todos os outros livros. Ela não é um livro só, mas uma coleção de pequenos livros. A palavra "Bíblia" vem do grego e significa, literalmente, "livrinhos", pois indica o plural da palavra "biblion" que é o diminutivo de "biblos", livro. Foi escrita em três línguas diferentes: a maior parte está em hebraico, outra em grego e alguns trechos em aramaico. Foi redigida em muitos lugares diferentes: grande parte foi escrita na Palestina, mas outras partes foram escritas na Babilônia, no Egito, na Ásia menor, em Roma e em diversas outras localidades. Começou a ser escrita mais ou menos por volta do ano 1.000 a.C. e só terminou por volta do ano 200 d.C: ou seja, mais ou menos 1.200 anos se passaram até alcançar a forma que tem hoje. Teve muitos autores e autoras: não se sabe exatamente quantos, mas foram mais de uma centena.Mas isto não é tudo. A Bíblia é também um livro diferente de outros por ser um livro sagrado. A parte que chamamos de Antigo Testamento contém livros sagrados do judaísmo. O conjunto do Antigo com o Novo Testamento é o que chamamos de Bíblia, livro sagrado para o cristianismo.

 

2. Formação do Povo de Deus. Em busca da Terra Prometida. - O conteúdo desta aula é sobre os vários grupos que formaram o povo de Israel. São grupos diferentes, com características próprias. Mas esses grupos têm em comum a fé no Deus conosco e o projeto de construir um jeito de viver, livre da opressão.

 

3. Assentamento na Palestina - A época dos juízes (1200 – 1020)– final do séc. XIII – Depois da travessia do deserto (onde o acontecimento capital é a aliança do Sinai), chega-se à estepe de Moab, diante da terra prometida. Após a morte de Moisés, Josué assume o comando, cruza o Jordão, conquista Jericó e aos poucos vai-se apoderando da Palestina. Três características marcam esse período. Primeiro, a  falta de coesão política (cada tribo se organiza independentemente). Segundo, uma profunda mudança na forma de vida (o povo se torna mais sedentário). Terceiro, a contínua ameaça dos povos vizinhos, sobretudo dos filisteus.

 

 4- A monarquia unida (1020 – 931) – Alguns pensavam que a monarquia era um atentado a Deus, único rei de Israel, e se opõem decididamente a ela. Apesar das oposições, Saul foi eleito rei e livra o povo da ameaça dos filisteus, pelo menos provisoriamente. No final do seu reinado, porém, foi derrotado pelos filisteus na batalha de Gelboé.

 A Saul sucede Davi. Primeiro ele foi escolhido rei do sul. Só depois de sete anos as tribos do norte pedem-lhe que reine também sobre elas. Foi ele quem conquistou e constituiu Jerusalém como capital do seu reino. Também ele terminou de conquistar as cidades cananéias e as anexou ao seu reino. Realizou uma política expansionista, submetendo os povos vizinhos.

 A sucessão de Davi é marcada por uma série de intrigas e derramamento de sangue entre seus próprios filhos. Sucede-lhe Salomão que reina quarenta anos (971 – 931). Este reinado é um dos momentos mais gloriosos da história de Israel. Salomão deixou de lado as guerras e realizou grandes construções. Mas, com o passar do tempo, ele obrigou o povo aos trabalhos pesados e colocou muitos impostos sobre o povo. Com isso, houve uma certa insatisfação, sobretudo nas tribos do norte, as quais não aceitam o filho de Salomão (Roboão) como rei. Acontece o fim da monarquia unida.

 

 5- A monarquia divida - Reino do Norte– Com o fim da monarquia unida, passam a existir dois reinos: o do norte (Israel) e o do sul (Judá). O do norte desaparece da história em 722, quando Salmanasar V, da Assíria, o conquista. Em seus 209 anos de existência, Israel teve nove dinastias e 19 reis, dos quais sete foram assassinados e um suicidou. Judá, que conseguiu sobreviver até 586, em 345 anos de existência teve somente uma dinastia (a de Davi) e 21 monarcas.

 

 6- A monarquia divida  -  Reino do Sul - No Sul, o reino de Judá, cuja capital era Jerusalém, teve depois de Roboão, o filho de Salomão, outros 19 reis, dos quais vários foram assassinados. O Reino de Judá não teve a prosperidade de seu vizinho do Norte, mas não o invejava, pois tinha a firmeza das suas instituições, que faltavam a Israel, isto é, a promessa divina de eleição, estabilidade e permanência para sempre, pois o Senhor escolhera Jerusalém para habitar (1Rs 11,36; 14,21; Sl 48), o rei descendente de Davi para governar o seu povo, a quem Deus fez a promessa de acompanhar no governo (2Sm 7,8-16; Sl 89,4) e o Templo único lugar autorizado pelo Senhor para ser cultuado (Dt 12,4-11).

 

 7 - Profetismo - Muitos foram os profetas que atuaram em Época e contexto diferentes. Uns escreveram. Outros não. Os que escreveram valeram-se dos mais variados gêneros literários, dentro dos quais, o símbolo profético. Alguns profetas estavam comprometidos prioritariamente com uma causa política que lhes trouxesse benefícios pessoais. Já outros falavam somente o que Javé ordenara, independente das consequências, e tiveram a coragem de confrontar uma monarquia organizada que priorizava os abastados da sociedade em detrimento dos pobres e injustiçados. Assim, a profecia bíblica surge como um contraponto ao Estado monárquico e seus viabilizadores: exército, sacerdote, juízes e latifundiários, todos comprometidos com uma organização que menosprezava o relacionamento com Deus e com o próximo. Isso demonstra que o profeta estava comprometido com sua vocação. O compromisso do verdadeiro profeta estava com a Palavra de Deus e com o Deus da Palavra.

 

8- O exílio (586 – 538) – Em 597 acontece a primeira deportação para a Babilônia, a qual conquista definitivamente Jerusalém em 586 e deporta numerosos judeus para a Mesopotâmia. Começa, então, o período mais triste, só comparável à opressão do Egito.

 

9- O período persa (538 – 333) – O pesadelo do desterro termina no ano 538, quando Ciro, rei da Pérsia, conquista a Babilônia e promulga um decreto libertando todos os cativos e permitindo-lhes a volta à Palestina. O povo continua sem liberdade política, dominado pelos novos senhores do mundo antigo, os persas.

 

10- O período helenista (333 – 63) – Este período vai desde a conquista da Palestina por Alexandre Magno até a conquista de Jerusalém por Pompeu. Depois da morte de Alexandre, seu império foi dividido em quatro partes. As que interessam aos judeus são Egito (governado pelos Lágidas) e Síria (dominada pelos Selêucidas). A Palestina foi dominada pelos Lágidas no século III e pelos Selêucidas no século II. Nessa época aconteceu a revolta dos macabeus.