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1ª AULA: INTRODUÇÃO GERAL
1ª AULA: INTRODUÇÃO GERAL

Todos nós conhecemos algo a respeito das histórias que aparecem nas primeiras páginas do livro do Gênesis sobre o paraíso, Adão e Eva, a serpente, o pecado, Caim e Abel, a violência, o Dilúvio, a Arca de Noé, a destruição, a Torre de Babel, porém, esses relatos fazem surgir muitas interrogações, nem sempre fáceis de responder. “Mas Deus criou mesmo o mundo em seis dias? E o que existia antes da criação?

 

A lista de perguntas, além dessas, é enorme; entre as mais frequentes encontramos: 

 

- Onde fica o jardim do Éden? https://leituraorante.comunidades.net/15-onde-era-o-paraiso

 

- Por que Deus criou a mulher da costela do homem e não do barro? https://leituraorante.comunidades.net/23-da-argila-da-terra-deus-criou-o-ser-humano

 

- Se tudo o que Deus criou é bom, por que criou a árvore do bem e do mal? https://leituraorante.comunidades.net/12-por-que-deus-deixou-a-arvore-do-conhecimento

 

- Em que consiste o pecado de Adão e Eva? https://leituraorante.comunidades.net/16-qual-foi-o-pecado-de-adao-e-eva

 

- Por que todo mundo tem de sofrer por causa do pecado de um único (primeiro) casal? 

 

- Por que Deus preferiu o sacrifício de Abel ao de Caim? 

 

- O mundo foi feito em seis dias? https://leituraorante.comunidades.net/7-o-mundo-foi-feito-em-seis-dias

 

- E quanto ao Dilúvio, ele realmente acabou com o mundo todo? Existiu mesmo a arca de Noé? https://leituraorante.comunidades.net/13-diluvio-aconteceu-mesmo

 

A primeira vista parece fácil responder às questões apresentadas. Cuidado, não é tão simples assim. É importante ter presente que as perguntas dependem do modo como a pessoa aprendeu a ler a Bíblia. Uma resposta apressada ou sem levar em consideração a realidade da pessoa que apresenta o questionamento pode afastá-la da comunidade ou do estudo bíblico. 

 

Existem muitas maneiras de se ler a Bíblia e, especificamente, o livro do Gênesis. Podemos fazer uma leitura fundamentalista, científica ou simbólica.

 

A leitura fundamentalista é aquela que interpreta o texto ao pé da letra. Por exemplo, ao ler no relato de Gênesis 1 que Deus criou o mundo em seis dias, a pessoa acredita no relato como fato, pois, afinal, está escrito na Bíblia. Quem se fixa nesse tipo de leitura pode se fechar ao diálogo com as ciências e com outras pessoas que pensam de maneira diferente, ou até mesmo abandonar a Bíblia como um livro sem sentido.

 

Ler o livro do Gênesis procurando compreendê-la como um livro científico é outro erro. Vejamos: conforme o relato de Gênesis 1, no sexto dia, Deus criou homem e mulher (cf. 1,27). A ciência afirma que o ser humano é fruto de um processo que levou milhões de anos. Em quem acreditar? Infelizmente, algumas pessoas cristãs, com boa intenção, em nome de sua fé, negam a ciência e afirmam a verdade bíblica. A Bíblia não é um livro científico, mas um livro de fé, baseado nas tradições do povo, enraizado na cultura do Antigo Oriente.  

 

A preocupação do autor de Gênesis 1-11 não é apresentar dados históricos ou científicos, mas simbólicos. O relato da criação do mundo e do ser humano não é originalidade do povo de Israel. Existe também no Egito, no Oriente Próximo, na Índia, na China e na África. São relatos que, por meio de símbolos e imagens, mostram a visão de mundo e as crenças religiosas do povo bem como a intenção do autor. 

 

Ao ler um texto é importante procurar responder às seguintes questões: Quem escreveu? Onde? Para quem? Qual a intenção do autor? É a partir dessa perspectiva que vamos ler os relatos de Gênesis 1 e 2, procurando compreender o sentido de algumas palavras, expressões e símbolos que aparecem no texto e perceber a intenção do autor ou dos autores do texto.

 

Portanto, a Bíblia por ser um livro de fé com orientações para a vida de ontem e hoje, não pode ser lido ao pé da letra nem como se fosse um livro de ciências. Deus não pegou a caneta e escreveu os textos que se encontram na Bíblia. Ela não caiu pronta do céu, mas é fruto da longa caminhada do povo de Israel com Deus. As narrativas bíblicas são baseadas nas tradições, na cultura e, principalmente, na fé do povo. Naquela época, como veremos mais adiante, para responder às perguntas referentes às divindades, à origem do mundo e à condição humana, o povo costumava dar explicações por meio de mitos. Os mitos apresentam uma resposta às questões existenciais de maneira simbólica. Por exemplo, os dois relatos da criação que estão na Bíblia (Gn 1,1 a 2,4ª e 2,4b a 24.) se parecem muito com os mitos do Antigo Oriente. Eles foram contados, recontados e escritos em épocas e lugares diferentes. 

 

Os relatos sobre a criação do mundo e da humanidade não são exclusividades de Israel. Em civilizações bem mais antigas, como vimos anteriormente, cada povo, procurou responder, a seu modo, às questões existenciais do ser humano sobre a origem do universo, da vida e da morte, do bem e do mal. As respostas construídas ao longo de várias gerações nós chamamos mito. 

 

Nos tempos atuais, a palavra mito é entendida como mentira, ilusão ou uma compreensão equivocada sobre determinado assunto. Porém, o sentido do mito é mais profundo. O mito nasce da necessidade de explicar os mistérios da vida e os fenômenos da natureza. A sua origem está nas narrativas orais, que procuram explicar como e por que as coisas acontecem.  

 

Há mitos semelhantes em culturas diferentes e distantes geograficamente, pois a experiência humana é comum, independentemente da época e da região. Os seres humanos, de todos os tempos e de todos os lugares, produziram seus mitos com linguagem simbólica, situando os acontecimentos no tempo das origens, no começo de tudo. Inclusive aqui no Brasil há muitas histórias indígenas da criação do mundo:  

 

“De boca em boca corre a história de que os Karajás foram criados pelo ser supremo Kananciué e, no princípio, eram imortais, Viviam como peixes, no fundo das águas do rio Araguaia. Eles não conheciam o sol, a lua, as plantas nem os animais. No lugar onde eles viviam existia um buraco luminoso em que o Criador lhes havia proibido de entrar; se eles desobedecessem, perderiam a imortalidade. Apesar da tentação, eles obedeciam fielmente.   Mas, certo dia, um Karajá mais ousado desobedeceu. Entrou pelo buraco adentro e chegou até as praias do rio Araguaia. A paisagem que ele viu era deslumbrante. Maravilhado, o índio Karajá ficou apreciando aquele paraíso terrestre até o entardecer. Quando ia retomar; viu outro cenário fascinante:  a lua e as estrelas no céu. Quando amanheceu, ele voltou aos seus irmãos e falou sobre o mundo maravilhoso que ele havia encontrado.  O povo resolveu pedir a Kananciué, o Criador; que permitisse que eles morassem naquele mundo. O Criador permitiu, mas, se fossem, eles perderiam a imortalidade. Todos os Karajás passaram entusiasmados pelo buraco luminoso do fundo do rio. Vivem ainda hoje naquele paraíso, às margens do Araguaia. Eles preferiram a mortalidade, para que pudessem nascer integralmente como seres livres, o que continuam sendo até os dias de hoje. (Texto adaptada do livro de Leonardo BOFF, O casamento entre o céu e a terra, Contos dos povos indígenas do Brasil, São Paulo: Salamandra, 2001, p.68-69)

 

Os indígenas do povo Karajás vivem há milênios às margens do rio Araguaia, no Tocantins. De acordo com a tradição, esse povo nasceu das águas desse rio. Para eles, a origem da morte é a transgressão, pois, entre a liberdade e a imortalidade, os indígenas preferiram a liberdade, desobedecendo à ordem do seu Criador.  

 

Os relatos de Gênesis 1-11 não fogem à regra. Eles são escritos que procuram explicar as origens do universo e da humanidade. A história de Adão e Eva, Caim e Abel, do Dilúvio e da Torre de Babel possuem estruturas e expressões próprias de um mito. Os autores dos capítulos iniciais do livro do Gênesis tiveram como fonte de inspiração as tradições do Antigo Oriente Próximo, especialmente da Mesopotâmia, do Egito e de Canaã, com as quais o povo de Israel conviveu.

 

Como aprofundamento da lição de hoje, assista o vídeo  e procure responder as seguintes questões:

 

1ª - O que é e para que serve um Mito? 

 

2ª Quais duvidas vocês tem a respeito de Gênesis de 1 a 11, ou seja, o que você gostaria saber?

 

3ª O que você espera desse estudo?

 

 

Aprofundamento: Leia o seguinte artigo: https://leituraorante.comunidades.net/1-genesis-1-a-11

 

 

Obs: Se possível, para que o nosso estudo se torne interessante e interativo, partilhe suas dúvidas e descobertas com os demais internautas, deixando seu comentário na caixa de texto logo abaixo.

 

Até a próxima aula, terça que vem!